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08.12.2011 - Vogue Archive

Revista Vogue lança arquivo online de mais de 120 anos de história.

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06.12.2011 - Valentino Garavani lança seu museu virtual

Uma marca que não é necessariamente conhecida pelos seus avanços no mundo digital e tecnológico (pelo menos não em um [...]

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13.11.2011 - Exposição Hussein Chalayan em Paris

Depois da surpresa de dividir um trem Eurostar entre Londres e Paris com nada mais nada menos que Stella McCartney [...]

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05.10.2011 - Stylemint, o mais novo projeto das gêmeas Olsen

Ashley e Mary Kate lançam site de venda de camisetas.

Vogue Archive

Depois de muito tempo de segredo e suspense (eu não aguentava mais não poder falar nada), finalmente a Vogue anuncia seu novo e incrível arquivo.

120 anos de história de moda na mesma plataforma é a ideia principal do Vogue Archive, projeto da edição americana da revista.

Em parceria com o maior portal de tendências do mundo, WGSN, o arquivo traz vasto material de pesquisa de moda, cultura e sociedade de cada época.

Uma ferramenta essencial de inspiração, o Vogue Archive traz todas as páginas das revistas, de 1892 até hoje, incluindo capas, matérias, ilustrações, fotos e anúncios.

Além da leitura completa das revistas, o usuário é capaz de fazer buscas por marcas, produtos, peças, entre outros, de acordo com períodos específicos e até descobrir a relevância destes em cada época – numa rápida pesquisa por ”sports”, 698 imagens, mais de 3000 artigos e 476 anúncios apareceram na busca. Já ao procurar por Balenciaga, um gráfico mostra que o nome apareceu muito mais nas páginas de Vogue nos anos 2000 e praticamente foi esquecido entre os anos 1970 e 1980.

O arquivo será atualizado mensalmente, com as novas edições de Vogue.

Dá pra assistir mais no video demo, mas posso garantir pra vocês que é ainda mais legal do que parece.

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Valentino Garavani lança seu museu virtual

Uma marca que não é necessariamente conhecida pelos seus avanços no mundo digital e tecnológico (pelo menos não em um nível Burberry), acabou de lançar um projeto que revoluciona e desafia o jeito que interagimos com a moda. A marca Valentino lançou ontem, em uma coletiva de imprensa no MoMA em NYC, o seu site de ‘arquivo virtual’, ou seja, um museu recheado de informações, videos, textos, desenhos e tudo que você possa imaginar de arquivo dos últimos 50 anos do ateliê italiano Valentino. Apresentado por uma das musas da marca, a atriz Anne Hathaway, é preciso fazer o download do museu para o seu desktop através de um site. A apresentação começou com um discurso da atriz, que disse, “Senhoras e senhores, hoje nós estamos testemunhando o começo de uma revolução, e não, eu não acho que essa palavra seja um exagero. A família Valentino criou algo que nunca existiu antes -- um museu virtual que vai mudar a arte, o mundo da arte, e como nós experenciamos ambos para sempre.”

Em números, o museu cobre mais de 10.000 m2 ,tem mais de 5.000 imagens de roupas, desenhos ou fotos, 300 manequins virtuais e inúmeros vídeos (por volta de 180!) e entrevistas sobre o processo de criação da marca, ou momentos marcantes. O museu é separado em 7 salas por temas ou exposições, como por exemplo a “Very Valentino”, uma retrospectiva com mais de 55 imagens de vestidos, uma area de ilustrações, uma entrevista com o parceiro do designer, o Giammetti, e mais. O designer disse que não gostou da idéia no início, já que estava acostumado a ver os vestidos em movimento, e ao vivo, mas aos poucos gostou do desenvolvimento e, dois anos depois, nasceu o projeto.



O projeto foi feito em parceria com a agência de marketing interativo parisiense Novacom Associés, e a idéia é que cada roupa, desenho ou momento possa ser intervativo. Uma roupa por exemplo pode ser vista em 3D, seguida por informações sobre a manufatura, quem vestiu, ou até acompanhado de um vídeo com o designer. Na minha opinião, apesar de ter um video explicando o passo a passo, navegar o museu requer paciência já que é complicado no início, e existe muita informação. Mas para os alunos e apaixonados por moda e os historiadores, isso é uma adição maravilhosa (e prática!) ao mundo da moda, e as outras marcas com certeza estarão assistindo de perto as reações, já que a idéia de heritage é tão importante hoje em dia. Isso também acontece ao mesmo tempo que a Vogue está preparando um enorme arquivo virtual de todas as suas publicações pelos anos, e a italiana Gucci abre um museu sobre a história da marca na sua cidade natal, Florença. “Mas nós não queremos que o Valentino só olhe para o passado. Queremos que seja algo vivo para o futuro”, disse Giammetti. E pelo o que parece, esse museu é a junção perfeita desses dois valores.

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Exposição Hussein Chalayan em Paris

Depois da surpresa de dividir um trem Eurostar entre Londres e Paris com nada mais nada menos que Stella McCartney (que estava usando roupas da sua própria marca, incluindo essa bolsa), achei que o meu contato com a moda não poderia ficar melhor na minha última viagem a cidade. E no último dia, depois de passar pela Rue Cambon e ver a famosa escada espelhada na Chanel, visitei a exposição maravilhosa do estilista Hussein Chalayan no Museu de Artes Decorativas, logo ali atrás do Louvre.

Devo admitir que meu conhecimento em relação ao estilista turco é restrito, só sabendo que ele é mais um formando da famosa Saint Martins, tem um estilo minimalista, com um tailoring impecável, e um grupo leal de clientes, com um estilo entre Yamamoto e Rick Owens. A exposição Hussein Chalayan: Fashion Narratives, executada maravilhosamente bem, explicava detalhadamente a narrativa e inspiração do estilista, muitas vezes politizada, falando sobre etnias e religião, e outras celebrando e questionando o corpo feminino. E assim como o japonês Yamamoto e outros estilistas dos anos 80 e 90, Chalayan ousa e questiona as barreiras entre moda, arte, arquitetura e tecnologia. Vale comentar que não eram permitidas fotos na exposição então a qualidade não está das melhores, até porque devo ter levado bronca da mesma pessoa umas 5 vezes!

Depois de ter sua colecão de formatura comprada pela Browns, em Londres, em 93, e ter ganho um prêmio de novo talento em 95, Chalayan começou a trabalhar com artistas conceituais como Bjork (a jaqueta da capa do album Post é por ele). O estilista sempre lutou contra problemas financeiros, que atingem qualquer estilista não-comercial que não foi comprado -- como  McQueen -- por um grande conglomerado de moda. Por isso, chegou a fazer uma linha em colaboração com a marca inglesa Marks & Spencer, e já foi diretor criativo da americana TSE e da inglesa Asprey. O famoso vestido de bolhas usado pela Lady Gaga quando estava começando a explodir também foi criado por ele.





A minha parte preferida da exposição, além dos cenários criados atrás das vitrines de vidro que exibiam os vestidos icônicos, foi o jeito que os diversos videos que o estilista faz estavam expostos, e o estilista é adepto a prática muito antes da tal moda que hoje todas as marcas sentem necessidade de aderir.




Ele diz que, assim como muitos falam sobre a arte, o sentimento dos outros em relação ao seu trabalho não importa, contanto que haja um, “Não é para mim falar como as pessoas reagem ao meu trabalho (…) Elas podem gostar ou odiar, contanto que tenha alguma resposta, mesmo que de desgosto, eu acho que isso já significa algo. O jeito que eu construo uma coleção, eu trabalho com os mesmos princípios…e uma coleção pode virar um filme, ou uma instalação, ou até só uma coleção. Eu não separo o jeito que eu trabalho, todos vem da mesma fonte, é que eu posso aplicar os mesmos princípios para uma roupa, ou para um filme ou um objeto. O meu mundo é todo um só, é só o jeito que as minhas idéias são executadas que varia.”

Uma sala completamente sem luz mostrava a coleção dos vestidos de laser que o estilista fez com a Swarovski, e de tão escuro só se via as luzes

E em duas salas podia se assistir dois desfiles que marcaram a carreira do estilista, incluindo o de primavera verão 2007, onde a tecnologia (que começou no meio do desfile) surpreendeu os convidados.

Na procura de videos, achei esse para a exposição dele do ano passado no Design Museum em Londres (que foi praticamente a mesma do que essa em Paris), onde o estilista explica vários projetos de filme e design que estão na exposição. Vale super a pena assistir!

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Stylemint, o mais novo projeto das gêmeas Olsen

Nós normalmente evitamos comentar sobre celebridades e seus inúmeros projetos, mas até tenho uma simpatia pelo o que as gêmeas Olsen têm feito nos últimos anos. Depois de lançarem a The Row, linha de moda feminina de luxo, e logo depois, a mais jovem e mais barata Elizabeth & James (nome dos irmãos mais novos), elas lançaram em abril o mais novo projeto, um site chamado StyleMint. O site até agora não recebeu uma atenção absurda da mídia de moda, mas decidi comentar porque adorei o que fizeram para este Halloween.
O site funciona mais ou menos da mesma maneira que o GlossyBox, o site inglês que, pagando um preço fixo mensal de £10, você recebe diversas amostras mini de produtos de beleza novos, para experimentar e quem sabe, comprar no futuro. No StyleMint, as gêmeas contribuem com desenhos de camisetas, que saem por $29.99 por mês, mas a diferença é que você pode pular o pagamento se não gostar dos designs de um mês qualquer. Quando você se inscreve no site, completa um testezinho de estilo e eles oferecem o que acham que combina com você mais.

Se eu não consegui explicar direito, segue esse videozinho de How it Works

E se você, assim como eu, não está convencida a gastar 30 dólares por mês com camisetas básicas com o motivo de ‘design exclusivo’ e qualidade maravilhosa, by gêmeas Olsen, o site vale a pena pelo menos pelos videozinhos mensais super fofos:

E pela ajuda exclusiva dos stylist convidados, como o desse mês, Brad Goreski, ex-Rachel Zoe. Esse mês rolam duas ofertas: a competição onde você estiliza uma camiseta básica no seu look de Halloween, e as duas vencedoras ganham um estoque anual de camisetas StyleMint, e um video onde, se você acertar todas as respostas do quiz, ganha 15% de desconto:

Não consegui achar o video inteiro em lugar nenhum, mas os screencaps mostram um pouquinho mais do humor de Mary Kate e Ashley:






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Foco: Mary Portas

Faz tempo que não fazemos um foco, mas a nossa escolhida hoje é uma querida do público inglês, a apresentadora e PR Mary Portas. A Mary é envolvida em tantos projetos diferentes que aqui tem o apelido de “Queen of Shops” e é frequentemente chamada de “retail guru”. Ela começou sua carreira ainda adolescente, trabalhando como vendedora de fim de semana na John Lewis, uma loja de departamento antiga. Logo depois, mudou para a Harrods e em seguida, para a Topshop, onde era responsável pelas vitrines super criativas que a gente vê nas high streets. Ela logo foi avistada pelo chefe da Harvey Nichols, que a contratou e hoje é considerada a responsável pelo rejuvenescimento da loja, com vitrines e displays mais modernos e com apenas 30 anos, Mary já era uma das diretoras da companhia.

Mary saiu da Harvey Nichols em 97 para abrir sua própria agência de PR e consultoria, a Yellowdoor, que até hoje é uma das mais importantes na Inglaterra e conta com clientes como a sueca Acne, Havaianas, Clinique e Louis Vuitton. Dois anos depois, e muitas viagens de consultoria a lojas no exterior, Mary já era um nome consagradíssimo e lançou o livro Windows: the Art of Retail Display (aqui). Mary caiu nas graças do público em 2007, quando apresentou na televisão o programa “Mary Queen of Shops”, onde a consultora ia à lojas passando por dificuldades financeiras e ensinava sobre o negócio, dando uma revitalizada na loja. E ela usa suas boas conexões na indústria para mostrar como se faz por exemplo, levando os donos de lojas para Londres, onde aprendem com estilistas ou empresários consagrados, como acontece no video abaixo, onde ela levou uma compradora de lojinha para uma reunião na Nicole Farhi:

Logo depois, foi lançado mais um livro, em parceria com o programa, o “How to Shop with Mary: Queen of Shops”.  A segunda temporada foi exclusiva com lojas de projetos sociais, que não vendem muito por aqui (e deviam!), chamada Mary Queen of Charity Shops. E a terceira, e o que conquistou os homens de vez (e graças a Deus, os namorados!) foi uma temporada dedicada à qualquer loja passando por problemas, e ela começou uma campanhia contra supermercados, ajudando lojas de vilas à sobreviver a massificação das cadeias grandes.

Mas Mary não para por aí e lança uma cadeia de lojas (por enquanto são 5) em parceira com o projeto social Save the Children, com todo dinheiro arrecadado indo para caridades, e layout e roupas escolhidos cuidadosamente por ela. E além de palestras pelo país, ela agora tem uma linha de roupas com a loja de departamentos House of Fraser chamada Mary, que você acha aqui.

E se o poder e influência da Mary não fosse o bastante, ela ainda é metade de um dos power couples mais importantes da Inglaterra, já que sua parceira, a journalista Melanie Rickey, é editora de moda da Grazia, a revista semanal de moda/fofoca mais popular aqui (e a minha preferida!) Na união civil delas, há uns dois anos, o casal usou vestidos custom made por Antonio Berardi, amigo íntimo do casal. Ah, e Melanie, junto com Yasmin Sewell, presta consultoria na Yellow Door.

Agora fica a pergunta: será que esse bob estilo Anna Wintour é o corte assinatura de mulheres super-poderosas?

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O mundo de Karlie Kloss

Ela já tem nome com jeito de nome artístico, e em uma velocidade que só a indústria da moda conhece, dominou as passarelas e revistas pelo mundo quando tinha menos de 16 anos. Karlie Kloss é um dos rostos mais conhecidos da indústria pela sua versatilidade, simpatia e, principalmente, sua maturidade em um universo onde muitas das suas colegas as vezes pecam pela ingenuidade. Ah, e para melhorar um pouco, ela é americana girl-next-door de um jeito que só a Anna Wintour entende, adora, e aprova (oque também explica sua recente obsessão pela Blake Lively, branca e loira, que já apareceu em mais capas da Vogue americana do que uma atriz de Gossip Girl devia!)



Em um especial de semana de moda, a Life.com escreveu um ótimo perfil na modelo de 19 anos, seguindo a americana pela semana de alta costura em Paris (onde Kloss desfilando é sempre um dos assuntos mais falados), pela sua nova cidade de NY e sua cidade natal, St Louis em Missouri. Além de ótimas fotos, a reporter se derrete de elogios à menina, e pega depoimentos com vários profissionais da indústria que explicam como ela se transforma em um mulherão na frente das câmeras. Eu sempre adorei modelos, já estagiei em agência e sigo minhas preferidas como alguém segue uma banda ou artista, e acho que o que a modelo tem de mais importante é a versatilidade. Modelos como Kate Moss e Gisele já estão em outro patamar porque mostraram que sabem incorporar qualquer personagem que for preciso, e outras que sempre caem nos mesmo clichês, acabam sumindo ou não trabalhando tanto (por mais que alguns discordem, acho que a Agyness Deynn entra nessa categoria). Outras, como a brasileira Alessandra Ambrósio e a holandesa Doutzen Kroes, perceberam que o seu sex appeal era o que vendia e foram espertas e se mantêm nisso.

A americana Karlie Kloss em seus poucos anos de carreira não só já mostrou versatilidade em print, nas revistas, como também arrasa nas passarelas  - outra qualidade difícil de achar em modelos, que sejam tão boas em passarela quanto em fotos, que já é o caso da Kate Moss, que hoje em dia desfila para amigos como Galliano e Vivienne Westwood, ou na Louis Vuitton, mas mais como atração do que “andada” boa. Além de arrasar nas passarelas e atingir status o bastante para desfilar pouquíssimos desfiles por temporada (e já ter recebido o selo de aprovação -- andar exclusivamente para a Calvin Klein em NYC -- que a top Lara Stone faz), Karlie é o rosto de várias marcas conhecidas pelo seu público mais maduro: Donna Karan, Dior e Oscar de la Renta, onde já desfilou e foi estrela solo de campanhas e, ao mesmo tempo, é o rosto do perfume jovial Lola, do Marc Jacobs. 



Ela conta que ainda fica nervosa quando faz os grandes desfiles, e explica que “Você tem que ser como um camaleão -- você pega a energia e espírito da coleção e do show, e vira parte da visão do estilista. Na verdade é uma responsabilidade enorme”. E a sua famosa andada nas passarelas, influenciada por anos de balé, é popular entre os estilista “Ela tem uma andada maravilhosa, com energia e tensão”, diz Nathalie Rykiel, presidente e diretora da Sonia Rykiel. “Quando ela entra na passarela, todas as outras modelos desaparecem”.

“Nos últimos quatro anos, quando eu não estou trabalhando eu pego o primeiro vôo para S.t Louis -- de volta para a escola, com a cara enfiada nos livros, ou me atualizando com os meus amigos sobre quem está namorando, quem terminou com quem, e todas as coisas e dramas bobos de colégio que fazem parte da experiência. Eu não quero perder isso; eu fiz questão de absorver cada minuto enquanto eu ainda tinha tempo”, diz Karlie. Mas sua adolescência normal para por aí. Nos famosos ‘proms’, os bailes de escolas americanas, ela já usou um vestido Oscar de la Renta, um Jason Wu e um Dior que ganhou de presente (aliás vendo essa foto, é difícil acreditar que ela tinha 18 anos!).
Caso o meu texto enorme tenha te interessado nela ou no mundo das modelos, os video da FashionTV, principalmente os mini perfis de modelos, são um ótimo jeito de conhecer mais sobre suas favoritas, ou as novatas que estão começando agora.

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Robert Duffy conversa com o Wall Street Journal

Se você assistiu o documentário lançado ano passado sobre o estilista italiano Valentino, ou entende um pouco da história do Yves Saint Laurent, sabe a influência e co-dependência que os seus parceiros (nos negócios e na vida) têm sobre eles. E com o americano Marc Jacobs, um dos nomes mais poderosos na moda nos últimos 15, 20 anos, não é diferente. Saiu semana passada no Wall Street Journal uma entrevista super interessante com Robert Duffy, o presidente da Marc Jacobs International e braço direito do Marc há 28 anos. A relação (nesse caso, a parceria é só nos negócios) é tão intensa que Duffy tem uma tatuagem que diz “1984″, o ano que a companhia abriu, e explica como descobriu Marc ainda na Parsons, onde viu seu estilo grunge na coleção de formatura e se apaixonou. Hoje em dia os dois não só tomam conta de uma das marcas mais poderosas do mundo mas, desde 1997, também são responsáveis pelo sucesso mundial da Louis Vuitton.

Juntos, Duffy e Marc enfrentaram diversos momentos difíceis na carreira do estilista, incluindo algumas idas a clínicas de reabilitação e passagem desastrosa (e depois, elogiada) pela marca Perry Ellis. Na entrevista ele conta um pouquinho sobre como é trabalhar com Marc, “Nós já estamos nessa há 28 anos, e toda temporada eu meio que me surpreendo com o que sai da cabeça dele. Eu entendo sobre a evolução, como qualquer pessoa que segue a moda, mas de vez em quando ele me pega de surpresa. Essa temporada, ele me ligou enquanto eu estava em um trem entre Singapura e Bangkok e falou ‘O que você acha de bolinhas em tudo?’. Ele me surpreende e eu surpreendo ele.” E conta que, “O Marc sinceramente não mudou tanto. Ele é muito frágil e quase infantil. Mas quando ele é colocado contra a parede e realmente acredita em alguma coisa, ele briga pelo o que quer. Eu acho que isso é algo que ele aprendeu comigo. Eu acho que é assim que eu vi ele mudar. Ele está muito mais seguro em relação a o que ele tem o direito de dizer”.



Duffy ainda indica que Marc poderia até fazer uma linha de alta costura um dia. E todos sabem que um dos grandes rumores do momento são que ele pode sair da Louis Vuitton, depois de mais de 10 anos, e injetar um pouco de criatividade na Dior. Tudo indica que mudanças estão no ar, já que Marc atrasou o dia do seu desfile na semana de moda de NY, o que talvez signifique que ele possa estar criando uma grande despedida na Louis Vuitton (que acontece depois da NYFW). Mas uma coisa é certa, Duffy não tem planos de sair do lado de seu parceiro tão cedo. Mas o que seria a carreira do estilista sem o empresário do lado? Duffy diz que  ”Eu acho que se nós não estivessimos juntos, o Marc seria um estilista conhecido, mas pequeno. Ele nunca teria adotado as mídias sociais (quem pode esquecer dos tweets do Duffy durante as semanas de moda ano passado?). Ele não teria lançado a Marc by Marc. Quando eu falei que queria abrir a MbM, ele falou ‘Você acha que eu quero desenhar outra linha? Você me faz trabalhar na LV, me faz trabalhar aqui. Você quer fazer? Então é seu’” Mas Marc logo percebeu que pelo lado de negócios significaria um lucro para a empresa que deixaria ele fazer os desfiles maravilhosos que nós conhecemos tão bem, e hoje a MbM é um sucesso enorme. O negócio expandiu, e hoje em dia Marc Jacobs é uma linha de lifestyle, com direito a livrarias, como a BookMarc, na Bleecker Street, em Nova York, rua que a marca encareceu e popularizou quando abriu sua primeira loja lá.

E Marc retribui a importância que Duffy tem na sua vida, explicando que com eles é diferente, “Eu entendo porque as pessoas comparam a gente com outras parcerias na moda, mas nossa relação é um pouco diferente. Nós nunca fomos amantes, como Bergé e YSL e Giammetti e Valentino, mas entendo por que as pessoas pensem isso. Mas é um trabalho difícil, os dois lados do trabalho (o criativo e o de negócios). É por isso que eu falo que não é sobre o que eu faço, ou o que o Robert faz. Nós dois juntos somos a Marc Jacobs. Nós dois juntos somos a Vuitton. Eu penso que sem ele ou sem eu mesmo, nós não teríamos conquistado o que conquistamos”.

Leia a matéria aqui.

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